A Fondation Louis Vuitton, em Paris, recebe o Cirque Calder para a exposição Calder. Rêver en équilibre, marcando o centenário da chegada de Alexander Calder à cidade em 1926. O circo em miniatura, construído pelo artista entre 1926 e 1933, volta ao local onde foi apresentado pela primeira vez à vanguarda parisiense e agora integra a mostra organizada em parceria com o Whitney Museum of American Art.
O circo como ponto de partida da carreira
Curador da exposição, Olivier Michelon destaca que o circo representa o início da trajetória de Calder em Paris. Construído com arame, o objeto era animado pelo próprio artista durante sessões para artistas e intelectuais da época. Hoje, a obra é exibida ato por ato em vitrines circulares, com trilha sonora e iluminação reduzida, permitindo que o público acompanhe o movimento de cada figura.
There couldn’t be a Calder retrospective without having the circus, as this is also the 100th anniversary of Calder coming to Paris. He showed this as one of his first works in Paris, from 1926 to 1933… It was essential because the circus is the starting point for Calder’s stay in Paris.
Olivier Michelon
Movimento e ludicidade presentes desde o início
O circo antecipa elementos centrais da obra posterior de Calder, como os mobiles. Michelon observa que a peça já continha a ideia de festa e alegria que Sartre descreveria em 1946. Cavalos correm, acrobatas saltam e objetos são lançados no espaço, demonstrando que o movimento é o elemento principal da criação.
A mostra reforça a importância do circo como precursor de experimentações cinéticas que definiriam a produção do artista nas décadas seguintes. Com empréstimo do Whitney, a Fundação Louis Vuitton apresenta a obra em contexto que resgata sua função original de entretenimento e inovação.