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De clubes de banho a bares de escuta: o ressurgimento do gatekeeping e a onda de exclusividade

Nos últimos anos, o conceito de gatekeeping – a prática de restringir o acesso a certos espaços ou experiências para manter um ar de exclusividade – tem ganhado força em diversos setores culturais. De clubes de banho a bares de escuta, esses ambientes estão se tornando símbolos de uma tendência maior, onde a seletividade não é apenas uma estratégia de marketing, mas uma resposta a demandas sociais e econômicas. O gatekeeping, outrora criticado por promover elitismo, agora é visto por muitos como uma forma de preservar a qualidade e a autenticidade em meio ao excesso de opções disponíveis no mundo digital e físico. Essa volta em grande estilo reflete mudanças no comportamento do consumidor, que busca experiências únicas e personalizadas, longe da massificação promovida pelas redes sociais e pelo turismo em massa.

Os clubes de banho, inspirados em tradições antigas como os banhos termais japoneses ou europeus, exemplificam essa onda de exclusividade. Esses espaços, frequentemente localizados em áreas urbanas sofisticadas, limitam o número de membros ou exigem convites para entrada, criando uma atmosfera de privacidade e luxo. Da mesma forma, os bares de escuta, populares em cidades como Tóquio e Nova York, focam em experiências auditivas imersivas, onde o silêncio e a atenção aos detalhes musicais são priorizados, com regras estritas contra conversas altas ou uso de celulares. Esses estabelecimentos não são apenas locais de lazer, mas comunidades fechadas que atraem um público disposto a pagar mais por uma sensação de pertencimento e distinção. O que impulsiona essa tendência é uma combinação de fatores, incluindo a saturação de opções acessíveis e o desejo por conexões mais profundas em um mundo cada vez mais conectado, mas superficial.

Além disso, a pandemia de covid-19 acelerou essa busca por exclusividade, à medida que as pessoas reavaliaram suas prioridades e optaram por experiências controladas e seguras. Com o aumento do trabalho remoto e a fadiga digital, espaços como esses oferecem um refúgio onde o gatekeeping atua como um filtro contra o caos do dia a dia. Analistas culturais observam que essa onda não é aleatória: ela é impulsionada por uma economia de status, onde o valor não está apenas no produto ou serviço, mas na narrativa de raridade que o envolve. No entanto, essa exclusividade levanta questões sobre acessibilidade, já que nem todos podem participar, reforçando divisões sociais em uma era que prega a inclusão.

Por fim, o que está por trás dessa onda de gatekeeping é uma mistura de nostalgia por épocas passadas, quando certos prazeres eram reservados a poucos, e uma reação contra a democratização excessiva promovida pela internet. Enquanto alguns veem isso como um retrocesso, outros argumentam que é uma evolução natural da cultura contemporânea, adaptando-se às necessidades de um público adulto em busca de qualidade sobre quantidade. À medida que mais estabelecimentos adotam essa abordagem, o debate sobre os prós e contras da exclusividade continua a moldar o panorama cultural global.