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Diálogo feminista: Valie Export e Ketty La Rocca em exposição na Thaddaeus Ropac de Milão

A galeria Thaddaeus Ropac, em Milão, abriga atualmente uma exposição que coloca em diálogo as obras de duas artistas conceituais feministas: Valie Export e Ketty La Rocca. Esse encontro artístico destaca a relevância contínua de suas contribuições para o debate sobre o corpo feminino e a identidade na arte contemporânea. Valie Export, conhecida por suas performances provocativas nas décadas de 1960 e 1970, compartilha nessa ocasião reflexões atualizadas sobre o que o corpo representa para ela nos dias de hoje. A exposição não apenas revisita o legado dessas artistas, mas também convida o público a explorar as interseções entre suas visões, promovendo uma conversa que transcende gerações e contextos culturais. Localizada no coração de Milão, a Thaddaeus Ropac se consolida como um espaço privilegiado para tais diálogos, reunindo peças que questionam normas sociais e artísticas estabelecidas.

Valie Export, artista austríaca pioneira no feminismo conceitual, tem uma trajetória marcada por intervenções que utilizam o corpo como ferramenta de crítica social. Nessa exposição, ela aborda o significado do corpo de forma contemporânea, refletindo sobre como ele evoluiu em sua percepção ao longo dos anos. Export explica que o corpo, outrora um instrumento de resistência contra estruturas patriarcais, agora incorpora dimensões mais introspectivas, influenciadas pelo envelhecimento e pelas mudanças sociais. Essa perspectiva é central no diálogo com Ketty La Rocca, cujas obras também exploram temas de comunicação e identidade feminina. A interação entre as duas artistas é facilitada por meio de instalações e documentos que destacam semelhanças e contrastes em suas abordagens, convidando os visitantes a uma imersão reflexiva. A Thaddaeus Ropac Milan serve como palco ideal para essa troca, enfatizando o papel da arte em desafiar convenções.

Ketty La Rocca, artista italiana falecida em 1976, é representada por trabalhos que investigam a linguagem e o corpo como meios de expressão feminina. Sua inclusão no diálogo com Valie Export reforça a importância de resgatar vozes históricas do feminismo artístico, especialmente em um contexto europeu. A exposição na Thaddaeus Ropac Milan apresenta peças que evidenciam como La Rocca utilizava gestos e signos para questionar o silenciamento das mulheres, criando um paralelo direto com as performances de Export. Nesse sentido, o evento não é apenas uma retrospectiva, mas uma ponte entre passado e presente, onde as ideias de La Rocca ganham nova vida através da lente contemporânea de Export. Os curadores destacam que essa conversa artística sublinha a persistência de temas como autonomia corporal e empoderamento, relevantes em debates atuais sobre gênero e sociedade.

No cerne da exposição, Valie Export oferece insights pessoais sobre o corpo, afirmando que ele agora simboliza uma forma de resiliência e transformação contínua. Ela descreve como, em sua visão atual, o corpo transcende o mero veículo de protesto para se tornar um arquivo vivo de experiências, marcado pelo tempo e pelas lutas feministas. Esse testemunho de Export enriquece o diálogo com La Rocca, cuja obra frequentemente lidava com a fragmentação da identidade feminina. A Thaddaeus Ropac Milan, ao promover essa interação, contribui para o discourse cultural mais amplo, incentivando o público a reconsiderar o papel do corpo na arte conceitual. A exposição permanece aberta ao público, oferecendo uma oportunidade única de engajamento com essas perspectivas feministas.

Essa iniciativa na Thaddaeus Ropac Milan reforça o compromisso da galeria com artistas que desafiam paradigmas, mantendo viva a essência do feminismo conceitual. Ao colocar Valie Export em conversa com Ketty La Rocca, o evento não só homenageia suas contribuições, mas também provoca reflexões sobre o corpo como elemento central na arte contemporânea. Export, ao compartilhar o que o corpo significa para ela agora, atualiza esses debates, convidando uma nova geração a participar. Com isso, a exposição se posiciona como um marco cultural em Milão, acessível a um público interessado em narrativas artísticas inovadoras.