Em uma entrevista recente, a antropóloga e fotógrafa Regula Tschumi compartilhou insights de sua pesquisa de mais de 20 anos sobre a cultura funerária Ga-Adangme no sul de Gana, documentada no livro “Buried in Style”. Iniciada por volta de 2002, a investigação explora caixões figurativos, rituais e simbolismo social, questionando narrativas de que esses artefatos seriam uma invenção recente. Com mudanças significativas após 2016, quando o artesão Paa Joe se afastou, o trabalho de Tschumi busca preservar a dinâmica cultural contra a banalização turística.
A jornada de pesquisa de Regula Tschumi
A pesquisa de Tschumi envolveu fieldwork de longo prazo no sul de Gana, em regiões como Teshie, Nungua, Greater Accra e Central Region. Ela conduziu visitas repetidas, entrevistas com artesãos como Paa Joe e Ataa Oko, e análise de desenhos e fotografias. O objetivo é desvendar a linguagem visual viva dos rituais funerários entre famílias Ga-Adangme tradicionais e cristãs.
Well, you know, it went step by step. When I started, there was still the idea that these coffins were ‘invented,’ and I didn’t question it, I believed it.
Tschumi começou a duvidar das histórias ouvidas, especialmente a ideia de que os caixões eram invenção de um único artista, após descobertas em campo.
Simbolismo e rituais nos caixões figurativos
Os caixões figurativos vão além de símbolos, atuando como totens que protegem as famílias. Tschumi destaca que símbolos reservados para chefes e sacerdotes não eram permitidos para classes inferiores, levando ao uso de motivos lúdicos. Cada funeral varia conforme a família, local e orçamento, refletindo a diversidade cultural.
It’s more than a symbol, it’s a totem, something that protects the family.
They were not allowed to use the symbols reserved for the upper class, the chiefs, and the priests. So instead, they began to use playful motifs. They can even have fun with it.
Each funeral is different. It depends on the family, the place, the budget.
Preservando a cultura contra o turismo
A motivação de Tschumi é preservar essa tradição dinâmica, evitando que se torne mera atração turística. Seu livro “Buried in Style” combina fotos e textos para documentar esses elementos culturais autênticos. Com mais de duas décadas de dedicação, o trabalho questiona narrativas simplistas e promove uma compreensão mais profunda da cultura funerária Ga-Adangme.
That’s when I started to doubt the stories I’d heard, the idea that the coffins were the invention of a single artist.
I hope it does not take away. I hope it won’t become a tourist thing.